solidão acompanhada

Escrito por rafa às 11h53
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Escrito por rafa às 09h51
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21 novembro 2006 raf escrevinhou incompletamente:
olá caruaq
vc escreveu muito, em grande quantidade, e eu também sofro desse mal, as idéias vão se conectando e cresce o número de palavras.
eu queria, queria mesmo, escrever sucintamente e dizer tudo.
aí, se eu fosse escrever tudo que seu texto suscita de idéias, eu não seria sucinto suficientemente.
<das palavras> acho-penso que a comunicação é algo impossível mas que acontece, e não fui eu quem disse isso nem sei quem foi. a comunicação acontece em pequeno percentual daquilo que é dito e a gente acredita que se entendeu entendemos.
<da arte contemporânea> eu acho tanta coisa aqui, meu nível de achismo é surpreendente. uma pessoa joga espelhos do alto de um edifício e embaixo atores contratados aplaudem. isso é nada. uma pessoa usa a bolsa que recebeu para fazer arte e constrói uma casa de alvenaria pra uns pobres e troca pelo barraco deles e expõe o barraco. isso é nada. mas também é nada retratar o real.
talvez (porque nao tenho certeza de nada) talvez, quando um artista encontra esse ponto entre os dois nadas, entra em uma crise de onde não se sai.
esse é para mim, o caso de gil vicente.
pintava para a alta sociedade (isso existe?) e era trés chic ter um gil vicente. quando resolveu mudar e ser <contemporâneo> perdeu seus clientes e desvalorizou aquilo que já estava nas paredes.
o assunto é muito extenso e não quero me estender mais.
marcel duchamp foi genial e matou qualquer possibilidade de arte.
Escrito por rafa às 11h34
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Escrito por rafa às 11h25
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Escrito por rafa às 10h55
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Escrito por rafa às 12h10
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JW ESCREVEU:
----------------------------
raf.,
essa é a melhor maneira (e tlvz a ùnica),
de fazer philosophia, perguntar como
uma criança.
vejo uma criança na rua, ela
olha pras coisas, pras pessoas,
vejo no seu rosto esse estranhamento,
estranhamento tal e somente
possìvel pra uma criança.
ela, a criança, vem de outro mundo,
e pergunta coisas que jà não vemos,
por muito estarmos mergulhados
nisso aqui.
em muita gente que faz philo e congêneres por aqui
não creio haver esse sentimento
de estranhamento que é necessàrio
à pergunta: philo preles é puro ofìcio,
como pra outros o é a contabilidade.
sobre essa questão da essência,
veja, não sei quem começou essa
crìtica à razão, não sei se foi
Nietzsche quem começou essa
crìtica à Sòcrates, que
outros depois continuaram.
meus conhecimentos dessas
coisas são ìnfimos, e parecem
encolher a cada dia.
mas, como dizia, essa crìtica
desse philo à razão como
dogma, como ùnico método,
como a ùnica maneira de conhecer,
é muito curiosa e interessante.
é somente a razão que vai me fazer
revelar a essência das coisas, se ela
existe? para onde vão todos os mitos,
todo o sentimento de estranhamento,
toda a maneira sensorial de apreender
o mundo?
e essa verdadeira obsessão de tornar
a linguagem humana uma coisa
palpàvel, inteligìvel, racional?
falar, como andar, como até comer,
são atos que não são submetidos
à razão diretamente. atos esses
passam por outros nìveis de
percepção que não a razão.
falo sempre como uma descoberta,
como encontro o que vou falar?, não sei-o,
as palavras são uma torrente muitas vezes incompreensìvel.
a teoria de Freud toda està dentro dessa
reflexão anti-racional.
os psicanalistas que conheço, até
os que freqüentam os doutoramentos,
parecem todos acreditar
que a psicanàlise caiu de lugar nenhum,
que é ahistòrico.
preles é uma espécie de heresia querer
que essa corrente venha de um desenvolvimento
do pensamento e que està situado num contexto
històrico.
aliàs, não sei se jà lhe disse, mas
foi isto que me fez não continuar
no "circulo psicanalìtico de PE".
parecia para mim uma outra igreja.
(aliàs, aproveitando o mote, naquele tempo
tentei entrar para o partido dos trabalhadores,
mas tb encontrei um lugar cheio de dogmas).
tb na universidade os dogmas e os sacerdotes
proliferam, mas são somente seitas e
não dominam tudo.
essa anti-racionalidade està começando a
se entranhar em todo campo de estudo
que tem a cognição humana como
um dos objetos.
antônio damasio tem um livro
muito interessante "o erro de Descartes",
onde ele tenta mostrar que o ser humano
utiliza "emoções" como uma maneira de
fazer escolhas. coloquei aspas porque
ele faz uma diferença qq entre "emoções"
e "sentimentos".
de seu laboratòrio, ele tenta demonstrar
que pessoas com problemas neurològicos
no lobo frontal têm dificuldades em
escolhas cognitivas.
assim, a razão como entidade absoluta
que reina a nossa vida veio corroer outras
maneiras de olhar para a vida.
CONTINUA A SEGUIR............
Escrito por rafa às 12h01
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CONTINUAÇÃO DE JW ESCREVENDO:
-------------------------------------
veja esse abandono da procura pelo
belo nas artes plàsticas.
hoje é necessàrio o texto para se
"compreender" uma obra.
as aspas estão postas para sublinhar
que hoje a uma obra é necessària a razão.
e tb o abandono da procura pelo
belo na mùsica do século XX,
aquelas coisas que somente são
possìveis de ouvir por alguém que
entenda profundamente de teoria
musical, que saiba racionalmente
do que o compositor
està tentando fazer.
a pauta vira assim uma peça
de laboratòrio não menos importante
do que a pipeta ou as anàlises estatìsticas.
gosto muito de todo o surrealismo
porque aquele grupo atacava
diretamente o racional e procurava
a apreensão por vias irracionais.
e soa até engraçado eles terem tentado se aproximar
de um grupo dogmaticamente racionalista
como os comunistas. não podia dar certo.
conversava outro dia com um francês
intelectualizado, não tô tirando onda
não, ele sabe muito, leu muito,
é pintor e professor de arte.
ele criticava os paìses comunistas
de terem implantado sociedades
racionalistas. e na verdade o são ou o eram,
né?, sociedades de economia planificada,
onde tudo e todos seguem o que
foi planejado de antemão,
todos os mitos e todas as religiões
confundidas são superfluas e precisam
ser eliminadas. isso tudo claro
tem o pressuposto da razão como
mòbil.
ora, se isso é verdade para essas
sociedades, tb o é e mais ainda
para este paìs aqui, a França.
nisto aqui tudo tem que passar pelo
crivo da razão, mas tudo mesmo.
digo-lhe, não se canta nem se dança
mais aqui. dançar e cantar são atividades
que pertencem a cìrculos bem determinados,
o palco, as apresentações. é o estado,
a prefeitura que tudo planeja, que tudo
faz. todo acontecimento aqui, dos quais certamente
vc ouve falar, são eventos programados
com minùcia. nada pode ser feito se
escapar do planejado. não hà mais o espontâneo,
o irracional, eles aqui caìram
numa espécie de armadilha difìcil de
sair.
claro que alguém imerso nisso aqui
não vê nem pode ver ou dificilmente
o verà.
lembro-me que hà muito
estudava Heidegger num
grupo leitura de philo na catòlica,
que tinha um professor espanhol
chamado Jesus que animava
o estudo. lìamos o ser e o tempo.
ora, quase nada entendia.
mas sei que a crìtica toda ali
era a Sòcrates, porque a partir dele
o ser, a essência, na civilização ocidental
(conceito de difìcil precisão)
passa a ser delimitado pela razão.
Sòcrates é uma espécie de cancro
que nos fez adoecer.
diz aqui no frontispìcio de um livro, não me lembro mais
de qual ou de quem, que para entender a philosophia
é preciso entender bem um autor verdadeiramente
importante.
a idéia é que um autor não caiu das nuvens, ele està
situado num perìodo bem preciso da grande
conversa que é a philosophia. ora, ao entender bem
esse autor, entende-se esse desenvolvimento.
mas, jà foi muito.
grande abraço,
waq.
Escrito por rafa às 12h00
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Escrito por rafa às 11h41
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ACM escreveu:
Lendo todos teus emails e associando-os aos anos 10 anos em que venho ouvindo pessoas falarem de si, e somando isso a minha própria obsrevação de mim mesmo, fica a seguinte sensação: O ser humano "existe" numa situação absurda, pois de um lado ele não sabe de onde veio nem para onde vai, de outro nem memso sabe o que tá fazendo no agora entre essses dois pólos. A ciência nos "explica" como filhos da Grande Explosão, mas e antes dela o que havia? se é que havia. A mística entra com uma série de experiências transpessoais assumidamente crenças. A ciência com uma lógica racional, mas até mesmo a ciência não é uma crença na medida em que acreditamos em suas afirmações que explicam um "início" da vida, que pode ser não o Início Mesmo e sim o início para ela, o início que seus instrumentos de pesquisa conseguem mensurar? Somos então "condenandos" a fazer essa viagem temporária no que chamamos "vida" tendo consciência de si, mas sem sabermos o Sentido disso tudo. Visto daí, existimos num meio que não nos acolhe em nada e vamos assumindo papéis "estáveis" que nos atestam a existência, nosso "eu sou". Criamos estruturas físicas, afetivas, psicológicas... as mais loucas possíveis, todas com a função de atestar nosso "eu existo" mesmo quando essas estruturas causam sofrimentos, acostumamos, pois mesmo o sofrimento atesta-nos como existentes. Onde quero chegar com esse blá blá blá? em lugar nenhum, pois não tem "onde" chegar, estou só como o Gato da estória de Alice na passagem que enviastes por email, que sabe que se está entre doidos é porque é um deles. O xadrez, a literatura, a filosofia... ao meu ver só "espelha", cada um de sua forma particular, essa viagem humana com 6 bilhões de detalhes vivendo suas "próprias" estorinhas, muitos sem saberem que são loucos, esses são os que mais fabricam loucuras ruins.
Escrito por rafa às 10h46
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PAT escreveu:
vc alteraria as regras e estrutura do xadrez ? eu acho perfeito. mas o perfeito pode ter suas variaçoes - perfeitas ou nao. esperimentaria uma partida com as peças em posiçoes aleatorias. acho que esse poderia ser uma boa variaçao do xadrez ! joguemos !!!
Escrito por rafa às 10h45
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raf responde a JW:
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meu caruaq
a sua reflexão é muito boa, really.
porém devo corrigir algumas coisas, mas apenas em relação a mim mesmo.
"querendo discutir coisas que antes lhe cansavam."
na verdade, eu discordo do "querer discutir" pois considero que as maiores perguntas não têm resposta e vão ficar dessa maneira.
nossa compreensão é limitada e vai continuar sendo.
as minhas frases, ou reflexões, não são feitas no sentido de discutir, mas no sentido infantil de continuar perguntando, porque? porque? porque?
porque eu não acredito nas respostas ou porque as respostas são sempre insuficientes.
então, eu acredito na inutilidade de tudo?
somente em certa medida.
por outro lado acredito na evolução do indivíduo e acredito somente na salvação pessoal
salvação, me parece se nao me engano demais, é algo que heidegger falava muito e pra mim é um termo religioso por demais
mas é justamente o termo que encontro para dizer que não acredito na humanidade nem quero me esforçar pelo entendimento pelo esclarecimento dos outros ou das idéias ou por qualquer coisa que seja coletiva.
só acredito que eu posso me salvar do lodo mas não acredito no meu compromisso com o cerumano. e discutir tem isso de acreditar no outro.
< sobre as palavras > duas coisas.
eu ia dizer, ou estava pensando na beira do rio onde caminho que alice e xeiquespir só podem ser compreendidos na sua própria língua. alice, que é jogo de palavras o tempo todo, quase perde o sentido em português.
como eu não quero ser proficiente em língua nenhuma porque isto está na teoria geral da inutilidade das coisas e do esforço eu perco grande parte ou total do que se diz.
a outra coisa que eu ia dizerpensei é que quando se começa a estudar a comunicação deparamos com a dificuldade de qualquer palavra significar (ou expressar, sei lá eu) algo, e daí - SEM que essa questão tenha sido resolvida nunca e nunca será - partimos para estudar coisas mais importantes.
ora, o impasse da comunicação, ou da linguística, ou da linguagem, ou da semântica ou da semiologia (que me parece ser tudo a mesma coisa) o impasse é o começo, daí em diante é um acordo: aceitamos que não sabemos, aceitamos que a palavra é insuficiente mas vamos adiante sem saber mesmo.
mas é claro que gosto muito de barthes ou baudrillard mesmo sem entender direito.
< atomismos > como disse, as perguntas primevas (xi!) são as mais importantes e as que não terão resposta. gauguin pintou aquele quadro que não responde porra nenhuma mas que é a pergunta: quem somos, de onde viemos, para onde vamos? sem essa resposta de que vale perguntar qualquer outra coisa?
mas é divertido perguntar e continuamos perguntando. e gosto quando alguns se aproximam de respostas onde somos feitos da mesma matéria dos sonhos.
na questão dos sonhos, o doido de viena errou redondamente na sua interpretação (é pior errar redondamente ou é pior quadradamente?) aquele negósso de sonho=desejo........ isso é esquema. sonho é muito mais complexo e sonho tem um quê de realidade de sofrimento, de mistura de possibilidade que nada do real se compara.
e se somos sonhos de deus ou de outros seres, o que somos?
as perguntas mais antigas nos intrigam o mito da caverna é existenz e matrix e a gente-eu continuo sem saber
(eu precisava escrever algo com o tema a minha fé, para explicar mais, ou: em que eu acredito)
a questão do "em si" que tem me ocupado na caminhada é a mesma e sem resposta.
naquele momente em QUE Neo-matrix passa a ver o mundo em volta apenas como bits da matrix, é-pode-ser uma alegoria (!) do em si.
para mim, tenho pensado que objetos não têm "em si" que só pode ter essência aquilo que é. MEIO ÓBVIO.
< pra não finalizar >
tem me ocupado o pensamento também o pensamento de santo agostinho exceto pelaquele negósso de quem-tá-salvo-a-priori
mas a idéia de que a fé é precedida por certo trabalho da razão
e acho que re-comecei a pensar na essência depois de ler algo de agostinho
tudo aquilo que é, é bom se eu me engano, eu sou, pois aquele que não é não pode ser enganado
e me parece que agostinho também pensou que o conhecimento já está em nós e que nos cabe re-descobri-lo.
escrevi demais e não expliquei nada.
mas é importante para mim dizer ainda que, como dizia otto, da discussão não nasce a luz, nascem os perdigotos.
xauzis, porenquanto
Escrito por rafa às 10h44
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raf escreveu:
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o xadrez é perfeito?
ou melhor, o xadrez está perfeito?
como é um jogo que evoluiu e estabilizou-se há cerca de 100 anos, poderá continuar evoluindo.
mal comparando, o voley continua mudando por exemplo acabou aquele negósso de tomada.
mas, no meu parco entendimento, o xadrez chega próximo, no momento, da perfeição, no que diz respeito aos seus objetivos de jogo.
Capablanca propôs um xadrez de tabuleiro 8 linhas por 10 colunas e mais duas peças, uma, um misto de cavalo e torre e outra, um misto cavalo e bispo. eu não gostei dessa invenção, muito esquisito. quem jogou, diz que com o aumento de peças poderosas, as peças de menor valor perdem função e importância.
talvez, isso sirva para demonstrar quão equilibrado esteja atualmente o jogo.
Bobby Fischer criou um sistema onde a posição inicial das peças é aleatória, ou seja, no início do jogo sorteia-se o lugar de cada peça. Deriva daí que não há nenhuma abertura pré-determinada.
a questão é, também, há duas partidas iguais?
outro dia, consultando o chessbase para uma posição após 5 lances, só encontrei uma partida que apresentava os mesmos 5 lances.
mas será que, com milhões de partidas sendo disputadas, e armazenadas em computadores, não encontraremos facilmente duas partidas absolutamente iguais?
ou o xadrez é infinito? e perfeito?
Escrito por rafa às 10h41
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EGM escreveu:
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Oiê! voltei, Oia, se tu num sabe mangina eu. Oia quanto a Alice, tu tomasse algum alicenógeno? BJ e inte manhana
Escrito por rafa às 10h39
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JW escreveu:
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vc està em alto astral, é muito
bom ver vc assim, querendo
discutir coisas que antes lhe cansavam.
vc estava farto, agora parece pleno.
(farto e pleno indicam mais ou menos
a mesma coisa - mas na minha frase
querem indicar coisas opostas).
na minha dissertação de mestrado,
pus em epìgrafe uma parte daquela conversa de
Alice com Humpty Dumpty - o ovo
em cima do muro - um diàlogo
do qual sempre gostei muito,
tinha uns amigos que me apelidavam
de Humpty Dumpty por causa
disso.
Humpty fica jogando
com os significado das
palavras, e ele diz que quem
usa as palavras é ele e ele tem
o direito de dar o significado que quiser.
veja que desfaçatez:
"When I use a word", Humpty Dumpty said, in rather a scornful tone,
"it means just what I choose it to mean, neither more nor less".
'The question is,' said Alice, 'whether you CAN make words mean so many different things.' 'The question is,' said Humpty Dumpty, 'which is to be master-- that's all.'
os positivistas lògicos achavam
que as palavras apontavam para coisas
na realidade. assim 'cão' apontaria
pra uma coisa que ali està.
'cão' seria uma espécie de 'ìndice'.
eles começavam a ter problemas quando
a palavra era usada como uma metàfora
ou quando a coisa não "existia" concretamente:
o que quer dizer "unicòrnio"?
Russell, um dos representantes
tinha problemas com a frase:
"o rei da França é calvo". a frase
é verdadeira ou falsa, uma vez que
não hà rei da França?
um dos discìpulos de Russell,
Wittgenstein, foi escapando
das suas garras quando propôs
que a linguagem não aponta
para coisas mas para fatos
(depois ele se arrependeu
amargamente dessa idéia,
mas era tarde, o livro
onde ele denfendeu essa idéia
tinha virado a bìblia
do cìrculo de Viena).
assim a frase "a neve é branca"
somente faz sentido se a neve for
mesmo branca.
ele não tinha intenções
de elaborar uma lingüìstica
com essa idéia, mas queria
apenas livrar a linguagem
(e a filosofia) da metafìsica.
não conseguiu, por isso
mesmo o primeiro Wittgenstein
virou um segundo Wittgenstein.
aliàs, vc jà notou que todo
filòsofo que se preza
tem o seu primeiro e o seu segundo?
ele tem os seus "escritos da juventude"
onde ele se permitiu dizer besteiras.
tem uma mulha aqui que procura
o terceiro Wittgenstein, jà assisti
duas palestras d'ela, uma
especialista no autor, e ainda por cima
ganha a vida com isso!
e os pobres trabalhadores "balançando
no trem da central".
voltando ao seu comentàrio,
diria que o que vc està à procura
com esse tipo de questionamento
é saber se na existência hà
"atomismos" - a discussão é
muito antiga.
se uma coisa tem essência,
se significa algo em si,
vc acaba de encontrar um atomismo,
a "essência" que se resume numa existência.
Niestzsche (...)
dizia que essa nossa civilização
està contaminada com essa idéia.
veja o homem e as suas tentativas
de explicação, veja uma, a
psicanàlise: o "ego", o "superego",
"o insconsciente", tudo compartimentos,
tudo àtomos.
a melhor descrição do ser humano
não seria o resultado
de uma comunidade? a comunidade
das minhas células, cada uma com
um trabalho especìfico,
cada uma com seu dever.
e cada célula é uma outra comunidade
de outras coisas, de outro elementos.
fico por aqui,
Escrito por rafa às 10h38
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o que significa a coisa em si? pode um automóvel, por exemplo, ser algo em si?
a expressão "em si" deve (deveria) significar a essência, a coisa em sua essência.
pode alguém conhecer a essência de algo? pode alguma palavra (ou expressão) significar?
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